1. Fale um pouco de sua infância e sua vivência de fé na família.
Nasci na cidade de Capitão Leônidas Marques, no Paraná. Em 2007, aos meus 11 anos, juntamente com minha família, mudamos para Guabiruba, em Santa Catarina, onde encontramos um novo lar e passamos a construir nossa história. Sou o primogênito de uma família de quatro filhos. Depois de mim vieram minhas três irmãs.
Minha infância foi marcada por uma família de fé. Desde pequeno, recebi dos meus pais uma educação católica e fui incentivado a participar da vida da Igreja. Ainda criança, tornei-me coroinha e, ao longo dos anos, participei da catequese, do grupo de jovens, fui catequista e vivi diversas experiências de evangelização como o Emaús e outros encontros.
Um momento muito marcante na minha caminhada foi a participação no acampamento FAC, em 2013. Fui motivado a participar pelo saudoso Padre Irmundo, SCJ, que exerceu uma grande influência em minha vida. Foi nesse encontro que tive uma experiência mais profunda e pessoal com Deus, despertando em mim um desejo ainda maior de permanecer na Igreja e colocar a minha vida à serviço do Senhor.
2. Como surgiu a decisão de seguir a vocação sacerdotal e por que escolheu a Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus?
A decisão de seguir a vocação sacerdotal foi amadurecendo aos poucos, a partir de diversas experiências que Deus foi colocando em minha caminhada. Um aspecto muito importante foi a convivência próxima com os padres dehonianos. Minha mãe trabalha há 19 anos na casa paroquial de Guabiruba e, por isso, desde a infância, nossa família sempre manteve um contato muito próximo com os sacerdotes. Essa convivência, unida à vida de fé vivida em família e à minha participação ativa na comunidade paroquial, foi preparando o meu coração e se tornou um dos primeiros sinais da vocação que Deus despertava em mim.
Em 2014, tive a oportunidade de conhecer mais de perto a Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus quando o então Frater Josimar realizava seu ano de tirocínio em Guabiruba. Foi ele quem me convidou para visitar o seminário. Aceitei o convite sem grandes pretensões, apenas com o desejo de conhecer aquela realidade.
Essa visita marcou profundamente a minha vida. A experiência foi muito positiva e despertou em mim um interesse cada vez maior pela vida religiosa e sacerdotal. A partir desse primeiro contato, iniciei um discernimento vocacional mais sério, considerando a possibilidade de ingressar no seminário no ano seguinte. Nesse processo, também contei com o acompanhamento e o incentivo do então vigário paroquial, Padre Paulo Riffel, SCJ, que me ajudou a escutar e responder com maior liberdade ao chamado de Deus.
Escolhi a Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus porque ela já fazia parte da minha própria história. Cresci em uma paróquia confiada aos padres dehonianos e, ao longo dos anos, tive a oportunidade de conhecer de perto sua espiritualidade, sua missão e seu modo de viver o sacerdócio. Além disso, criei laços de amizade com diversos religiosos, desde o Padre Claudionor Jos�� Schimitt até os sacerdotes que atualmente atuam na paróquia. O testemunho de vida, o acolhimento e a dedicação desses padres fortaleceram minha identificação com o carisma dehoniano e confirmaram, em meu coração, o desejo de consagrar minha vida a Deus na Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus.
3. Como foi sua caminhada de formação até o diaconato? Quais foram os maiores desafios e graças vividas nesse tempo de preparação?
Minha caminhada de formação até o diaconato foi marcada por muitas graças, desafios e um profundo amadurecimento humano, espiritual e vocacional. O primeiro grande desafio foi deixar minha família e minha casa para iniciar a formação. Em 2015, ingressei no Seminário São José, na etapa do propedêutico, em Rio Negrinho, SC. Foi um tempo muito importante de preparação, adaptação e confirmação do chamado de Deus. Ali, comecei a me preparar para abraçar, com mais consciência, a vocação que sentia crescer em meu coração.
De 2016 a 2018, vivi a etapa do discipulado, no Convento Sagrado Coração de Jesus, em Brusque, SC. Por estar mais próximo da família, foi um período de maior tranquilidade e muito crescimento. Foram anos de estudo, convivência fraterna e fortalecimento da minha caminhada vocacional.
Em 2019, fui para Barretos, SP, onde realizei a etapa do postulantado no Postulantado Coração de Jesus. No início, foi um grande desafio adaptar-me à uma nova cultura, uma nova realidade e um novo jeito de viver. Contudo, essa experiência ampliou meus horizontes, fortaleceu meu senso de pertença à Congregação e me fez compreender ainda mais a riqueza da unidade entre as diferentes realidades dehonianas.
O ano de 2020 foi dedicado ao Noviciado Nossa Senhora de Fátima, em Jaraguá do Sul, SC. Mesmo em meio à pandemia, pude viver essa etapa com muita intensidade, aprofundando minha vida de oração, a espiritualidade dehoniana e a entrega ao Senhor. Em fevereiro de 2021, professei meus primeiros votos religiosos e iniciei o tirocínio na Paróquia Nossa Senhora da Purificação, em Nova Candelária, RS, onde tive a oportunidade de experimentar uma realidade pastoral diferente, aprendendo muito com uma nova cultura e uma nova forma de viver a missão.
Em 2022, realizei o segundo ano de tirocínio na Paróquia São Sebastião, em Jaraguá do Sul, SC. Foi um período muito fecundo, marcado por uma rica experiência pastoral e por grande crescimento na convivência com o povo de Deus.
Desde 2023, estou em Taubaté, SP, na etapa da configuração, no Convento Sagrado Coração de Jesus, cursando Teologia, etapa que concluo neste ano de 2026. Esse período consolidou minha formação intelectual, espiritual e pastoral, preparando-me para os passos definitivos da minha consagração e do ministério ordenado. No dia 6 de fevereiro de 2026, professei meus votos perpétuos na Paróquia São Cristóvão, em Itajaí, SC, consagrando-me definitivamente a Deus na Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus. No dia seguinte, 7 de fevereiro de 2026, pela graça de Deus, recebi a ordenação diaconal em minha paróquia de origem, a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Guabiruba, SC, cercado pelo carinho da minha família, dos amigos e da comunidade que acompanhou o despertar e o amadurecimento da minha vocação.
Ao longo de toda a formação, tive a oportunidade de conhecer diversas comunidades e frentes de missão da Congregação, em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e também a missão em Rondônia. Cada experiência contribuiu para ampliar minha visão da Igreja e da missão dehoniana. Hoje, olhando para trás, reconheço que cada etapa, com seus desafios e alegrias, foi instrumento de Deus para moldar meu coração. Tudo foi graça e me ajudou a crescer como religioso, como diácono e como futuro sacerdote, procurando configurar cada vez mais a minha vida ao Sagrado Coração de Jesus.
4. Como está sendo viver esse tempo como diácono?
Viver este tempo como diácono tem sido uma grande graça de Deus e um período muito importante de amadurecimento humano, espiritual e pastoral. Desde a minha ordenação diaconal, tenho procurado assumir cada dia como uma oportunidade de aprender a servir, recordando que o diaconado é, antes de tudo, um ministério de serviço, inspirado no próprio Cristo, que veio "não para ser servido, mas para servir" (Mt 20,28).
Tenho buscado viver meu ministério diaconal com simplicidade e disponibilidade, colocando-me à serviço da Igreja e do povo de Deus. Cada celebração, cada proclamação do Evangelho, cada batismo e cada encontro com as pessoas têm sido ocasiões concretas para experimentar a alegria de servir e anunciar o amor de Deus.
Neste último ano de Teologia, em Taubaté, tenho a alegria de exercer o ministério diaconal, especialmente aos fins de semana, no Santuário Santa Teresinha, confiado aos padres da Diocese de Taubaté. Trata-se de um santuário de grande importância para a diocese e muito procurado pelos fiéis. Como único religioso dehoniano atuando nesse espaço pastoral, tenho vivido uma experiência muito rica de serviço à Igreja. Essa realidade tem ampliado minha visão do ministério e me permitido crescer na disponibilidade, no acolhimento e na dedicação ao povo de Deus.
Vivendo essa missão à luz do carisma da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, tenho procurado aprofundar a espiritualidade dehoniana, aprendendo a contemplar o Coração de Cristo e a responder ao seu amor com uma vida de oblação, disponibilidade e serviço.
Na pastoral, tenho buscado compreender que o ministério não consiste apenas em realizar atividades ou exercer funções litúrgicas, mas, sobretudo, em caminhar com as pessoas, escutá-las, acolhê-las em suas alegrias e sofrimentos e ser sinal da presença misericordiosa de Deus. Essa proximidade com o povo tem me ensinado muito sobre a riqueza da fé simples e da confiança que tantas famílias depositam em Deus.
Todos os dias descubro que ser diácono é uma verdadeira escola para o sacerdócio. Este tempo tem fortalecido em mim a consciência de que o padre é chamado, antes de tudo, a ser um servidor. Por isso, procuro viver cada experiência como uma preparação para a ordenação presbiteral, pedindo ao Senhor a graça de configurar cada vez mais a minha vida ao Coração de Jesus, para que o meu ministério seja sempre marcado pela humildade, pela disponibilidade e pelo amor à Igreja e ao seu povo.
5. O que significa para você receber o sacerdócio neste momento da vida e da história da Igreja?
Receber o sacerdócio neste momento da minha vida é, antes de tudo, acolher com gratidão e humildade o chamado que Deus foi realizando em minha história. Ao olhar para minha trajetória, percebo que o Senhor sempre conduziu meus passos por meio da minha família, da comunidade paroquial, dos padres dehonianos, dos formadores e de tantas pessoas que foram instrumentos da sua graça. Nada aconteceu por acaso; cada etapa da formação foi preparando o meu coração para este momento.
Tenho buscado viver intensamente este tempo de preparação, consciente de que a ordenação presbiteral não representa um ponto de chegada, mas o início de uma missão ainda maior. Quanto mais se aproxima esse dia, mais cresce em mim o sentimento de gratidão, mas também de responsabilidade diante da grande missão que a Igreja me confiará. Reconheço minhas limitações e fragilidades, mas confio que Aquele que me chamou continuará sustentando minha vocação com a força da sua graça.
Receber o sacerdócio neste tempo da história da Igreja também significa assumir o compromisso de anunciar o Evangelho em uma sociedade marcada por tantos desafios, levando esperança, promovendo a comunhão e testemunhando o amor misericordioso de Deus. Desejo ser um sacerdote próximo das pessoas, capaz de escutar, acolher, consolar e caminhar com o povo de Deus, especialmente com aqueles que mais sofrem e necessitam da presença da Igreja.
Como religioso dehoniano, desejo viver o sacerdócio à luz do Coração de Jesus, deixando-me formar pela espiritualidade da oblação, da reparação e do amor. Quero que meu ministério seja expressão do lema que escolhi para minha ordenação: “É preciso que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30). Que Cristo ocupe sempre o primeiro lugar em minha vida e que eu seja apenas um instrumento para que seu amor alcance o coração das pessoas.
A ordenação presbiteral se aproxima e meu coração se enche de alegria, esperança e confiança. Entrego ao Senhor toda a minha vida, meus sonhos e projetos, pedindo a graça de permanecer fiel até o fim. Meu maior desejo é colocar-me inteiramente a serviço de Deus e da Igreja, sendo um sacerdote segundo o Coração de Jesus, que anuncie o Evangelho com simplicidade, celebre os sacramentos com amor e faça da própria vida um testemunho de entrega generosa ao povo de Deus.
6. Deixe uma mensagem àqueles que o acompanharam até aqui.
Ao concluir esta partilha da minha caminhada vocacional, o sentimento que permanece em meu coração é, acima de tudo, de profunda gratidão. Louvo e agradeço a Deus por sua infinita bondade e fidelidade, pois foi Ele quem me chamou, sustentou cada passo da minha vocação e me conduziu até este momento tão especial.
Agradeço, de modo muito particular, à minha família, especialmente aos meus pais, que sempre me educaram na fé, me ensinaram o valor da oração e, mesmo diante da saudade e dos desafios próprios da vocação, nunca deixaram de me apoiar e incentivar. Às minhas irmãs, familiares e amigos, agradeço pelo carinho, pela compreensão e pela presença constante ao longo dessa caminhada.
Minha gratidão se estende também à Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, que me acolheu, formou e me ajudou a crescer humana, espiritual, intelectual e pastoralmente. Agradeço aos formadores, aos padres dehonianos, aos meus confrades e colegas de caminhada, com quem compartilhei tantos momentos de aprendizado, fraternidade e missão.
Não poderia deixar de agradecer às comunidades por onde passei, especialmente à Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Guabiruba, berço da minha vocação, e a todas as comunidades que me acolheram durante a formação. Agradeço também aos amigos, benfeitores e a todos aqueles que, de diferentes formas, colaboraram com minha caminhada, seja por meio da oração, do incentivo, do apoio material ou de uma palavra de esperança. Nenhuma vocação é construída sozinha; ela é sempre fruto da ação de Deus e da generosidade de muitas pessoas.
Peço que continuem rezando por mim. Mais do que nunca, necessito das orações da Igreja para viver com fidelidade o ministério que em breve receberei. Rezem para que eu seja um sacerdote segundo o Coração de Jesus, humilde, disponível, fiel ao Evangelho e totalmente dedicado ao serviço do povo de Deus.
Peço também que rezem pelas vocações, para que muitos jovens tenham a coragem de responder ao chamado do Senhor e descubram a alegria de entregar a própria vida à serviço do Reino de Deus.
Por fim, quero convidar todos vocês a se unirem a mim nesse momento tão importante da minha vida. Minha ordenação presbiteral acontecerá no dia 12 de dezembro de 2026, na Comunidade São Cristóvão, no bairro Aymoré, em Guabiruba, SC. No dia seguinte, terei a alegria de presidir minha primeira Santa Missa na comunidade onde minha vocação nasceu e foi cultivada: a Comunidade Nossa Senhora Aparecida, no bairro Guabiruba Sul. Será uma grande alegria contar com a presença de todos vocês nessas celebrações ou, para aqueles que não puderem estar presentes, com suas orações e sua comunhão espiritual. Que possamos juntos louvar a Deus por tudo o que Ele realizou e continua realizando em minha vida.
Que o Sagrado Coração de Jesus, por intercessão de Nossa Senhora, continue conduzindo os meus passos e abençoe cada um de vocês. Muito obrigado por fazerem parte desta história e por caminharem comigo até aqui.